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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Oito anos sem Chico Xavier...



                                                                     
Como hoje, dia 30, faz oito anos que desencarnou Chico Xavier, não poderia deixar de falar sobre esse grande médium, também exemplo de persistência, fé, dedicação, desapego e amor.
Vale lembrar que um desejo de Chico era desencarnar em um dia em que o país estivesse em festa, envolvido por muita alegria. Pois bem, Chico fez sua passagem no mesmo dia em que o Brasil ganhava a copa mundial de futebol. Será coincidência?
Para não ficar batendo na mesma tecla e falando o que todos já sabem, coloco aqui um trecho do livro “Na Próxima Dimensão” de Carlos Alberto Baccelli que fala como foi a passagem para o mundo espiritual desse tão iluminado ser. Vejam que bonito, que festa, que clima de missão cumprida. Realmente nos faz ver que todo o trabalho aqui realizado faz feliz muitos e muitos espíritos que, como nós, também trabalham bastante em favor do bem. Aproveitem a leitura!
“No Mundo Espiritual, nosso irmão Lilito Chaves veio ao nosso encontro e anunciou o que, desde algum tempo, aguardávamos com expectativa: a desencarnação do médium Francisco Cândido Xavier, o nosso estimado Chico. O acontecimento nos impunha rápidas mudanças de planos, improvisamos uma excursão à Crosta para saudar aquele que, após cumprir com êxito a sua missão, retornava à Pátria de origem. Assim, sem maiores delongas, Odilon, Paulino e eu, juntando-nos a uma plêiade de companheiros uberabenses desencarnados, rumamos para Uberaba no começo da noite daquele domingo, dia 30 de junho. A caminho, impressionava-nos o número de grupos espirituais, procedentes de localidades diversas, do Brasil e do Exterior, que se movimentavam com a mesma finalidade.
Todos estávamos profundamente emocionados e, mais comovidos ficamos quando, esta­cionando nas vizinhanças do “Grupo Espírita da Pre­ce”, onde estava sendo realizado o velório, com o corpo exposto à visitação pública, observamos uma faixa de luz resplandecente que, pairando sobre a humilde casa de trabalho do médium, a ligava às Esferas Superiores, às quais não tínhamos acesso. Conversando conosco, Odilon observou:
- Embora, evidentemente, já desligado do corpo, nosso Chico, em espírito, ainda não se ausentou da atmosfera terrestre; os Benfeitores Espirituais que duran­te 75 anos com ele serviram à Causa do Evangelho estarão com certeza à espera de ordens superiores para conduzi-lo a Região Mais Alta… De nossa parte, permaneçamos em oração, buscando reter conosco as lições deste raro momento.
Aproximando-nos quanto possível, notamos a for­mação de duas filas imensas constituídas de irmãos en­carnados e desencarnados que reverenciavam o companheiro recém-liberto do jugo opressor da matéria: eram espíritos, no corpo e fora dele, extremamente gratos a tudo que haviam recebido de suas mãos, a vida inteira dedicadas à Caridade, na mais fiel vivência do “amai­-vos uns aos outros”. Mães e pais que por ele haviam sido consolados em suas dores; filhos e filhas que pude­ram reatar o diálogo com os genitores saudosos escre­vendo-lhes comoventes páginas do Outro Lado da Vida; famílias desvalidas com as quais repartira o pão; doen­tes que confortara agonizantes em seus leitos; religiosos de todas as crenças que respeitosos, lhe agradeciam o esforço sobre-humano em prol da fé na imortalidade da alma…

Não registramos nas imediações, é bom que se diga, um só espírito que ousasse se aproximar com intenções infelizes. Os pensamentos de gratidão e as preces que lhe eram endereçadas formavam um halo de luz protetor que tudo iluminava num raio de cinco quilômetros; po­rém essa luz amarelo-brilhante contrastava com a faixa de luz azulínea que se perdia entre as estrelas no firmamento. A cena era grandiosa demais para ser descrita e desafiaria a inspiração do mais exímio gênio da pintura que tentasse retratá-la. Uma música suave, cujos acor­des eu desconhecia, ecoava entre nós sem que pudés­semos identificar de onde provinha, como se invisível coral de vozes infantis, volitando no espaço, tivesse sido treinado para aquela hora. Espíritos mais simples que passavam rente comen­tavam:
- “Este é um dos últimos… Não sabemos quando a Terra será beneficiada novamente por um espírito de tal envergadura” ; “Este, de fato, procurava viver o que pregava” ; “Quem nos valerá agora?”; “Durante muitos anos, ele matou a fome da minha família…; “Lembro-me de que, certa vez, desesperado, com a ideia de suicí­dio na cabeça, eu o procurei e a minha vida mudou”; “Os seus livros me inspiraram a ser o que fui, livrando-me de uma existência medíocre”; “Quando minha avó morreu, foi ele quem pagou seu enterro, pois, à época, éramos totalmente desprovidos de recursos”; “Fundei minha casa espírita sob a orientação de Chico Xavier, que recebeu para mim uma mensagem de incentivo e de apoio”; “Comigo foi diferente: eu estava doente, de­senganado pela Medicina, ele me receitou um remédio de Homeopatia e fiquei bom”…
Os caravaneiros não cessavam de chegar, todos portando flâmulas e faixas com dizeres luminosos; creio sinceramente que, em nosso Plano jamais houve uma recepção semelhante a um espírito que tivesse deixado o corpo após finda a sua tarefa no mundo; com exceção do Cristo e de um ou outro luminar da Espiritualidade, ninguém houvera feito jus ao aparato espiritual que se organizara em torno do desenlace de Chico Xavier. Com dificuldade, logrando adentrar o recinto do “Grupo Espírita da Prece”, reparamos que uma comis­são de nobres espíritos, dispostos em semicírculo, todos trajando vestes luminescentes, permanecia, quanto nós mesmos, em expectativa.
A tarefa de Chico Xavier – explicou Odilon emocionado – não tem fronteiras, raras vezes a Espiritualidade conseguiu tamanho êxito no campo do intercâmbio mediúnico. No entanto, a força que o sus­tentava nas dificuldades vinha de Cima pois, caso con­trário, teria sucumbido às pressões daqueles que, encarnados e desencarnados, se opõem ao Evangelho. Chico, por assim dizer, ocultou-se espiritualmente em um cor­po franzino e deu início ao seu trabalho, sem que praticamente ninguém lhe desse crédito; quando as trevas o perceberam, já havia atravessado a faixa dos vinte de idade e em franco labor, tendo pronto o “Parnaso de Além-Túmulo”, a obra inicial de sua profícua e excelente atividade psicográfica. Estávamos todos profundamente emocionados.
A multidão, dos Dois Lados da Vida, não parava de cres­cer e, assim como no Plano Físico os policiais cuida­vam da organização, na Dimensão Espiritual em que nos situávamos, Entidades diversas haviam sido encarregadas de disciplinar a intensa movimentação, sem que nenhum de nós se sentisse encorajado a reclamar qualquer privilégio com o propósito de uma maior aproxi­mação. Quase todos nós conservávamos em atitude de profundo silêncio e de reverência. Olhando-me, significativamente, Odilon comentou:
- Quantas bênçãos a vida e a suposta morte de um verdadeiro homem de bem pode espalhar! Quantos não estarão sendo motivados à renovação íntima ante o episódio da desencarnação do nosso Chico! Ele que, no corpo, descerrou caminhos para tanta gente, ao dei­xar a vestimenta física prossegue orientando com os seus exemplos os que se desnortearam além da morte. Faz-me recordar o que disse Jesus, no capítulo 12, versículo 24 das anotações de João: “Se o grão de tri­go, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto”…
                                                                                            

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