Chat


Get your own Chat Box! Go Large!
Tenham bom senso e responsabilidade com o que está sendo dito, com bom uso e principalmente, tendo em mente que TODOS deverão ser respeitados em suas diferenças, inclusive de opinião. Assim, nenhum usuário precisará ser bloqueado. O conteúdo da conversa, deve ser relacionado aos temas do blog.
É proibido o uso de nicks com nomes de Entidades, Cargos do Tipo Pai, Mãe, Ogan etc. ou Orixás, ou nicks considerados como insultuosos ou ofensivos.
É proibido insultar ou ofender qualquer utilizador deste chat. Respeite para ser respeitado.
Não informe dados pessoais na sala de chat, tais como E-mail,
Nº de telefone.
Esse tipo de informação deve ser em conversa privada com o membro, pois o Blog não se responsabiliza por quaisquer dano e/ou prejuízo.
Ao menos uma vez por semana, estarei presente e online para quem quiser conversar, compartilhar algo e/ou trocar idéias.

domingo, 23 de abril de 2017

Hoje é dia de Ogum na Umbanda!



Saravá Ogum! Ogunhê!

Ogum, na Umbanda, representa uma das forças da natureza oriundas de Deus, que se manifesta na forma de energia ligada à perseverança, à coragem de vencer demandas, atuando na defesa de toda a natureza, sendo executor da Lei. Sua energia está em todos os lugares.

Por vir representado pelos seus falangeiros, como energia vibrante e enérgica, Ogum é símbolo de atividade, de trabalho, de vigor, de possibilidade de a criatura humana buscar na natureza os recursos para vencer suas fronteiras, físicas e espirituais, revitalizando ou descobrindo sua energia vital, às vezes, nem sempre conhecida pelo indivíduo.

Os pontos cantados para louvar Ogum trazem também essa energia, todos eles ressaltando suas qualidades de bravo guerreiro e vencedor de demandas. É comum vermos nos pontos cantados para Ogum a junção dos vários elementos da natureza sendo louvados quando invocamos seus falangeiros.

Quando o filho de fé invoca o Orixá Ogum, está invocando forças que o levem a lutar e vencer sobre as forças que o querem levar ao declínio, agindo a energia de Ogum como elemento revitalizador que possibilita sua ascensão, sua conquista ao fim desejado. Assim como Oxalá, Ogum também é força, é misericórdia, é socorro.

Ogum vibra sua energia nos Caminhos, nas entradas, sempre vigilante, aplicando a Lei Divina com rigidez e firmeza, conforme a atitude daquele que o leva a agir.


Os falangeiros de Ogum são representados por espíritos guerreiros, de soldados, daí também, advir o sincretismo desse Orixá com São Jorge, no Rio de Janeiro, comemorando-se seu dia em 23 de abril. Na verdade, compara-se Ogum a São Jorge pelas características desse Santo Guerreiro do catolicismo: São Jorge veste uma armadura de guerra e monta um cavalo branco. Utiliza a lança e a espada para vencer o dragão, que no caso de Ogum, traz o simbolismo de que através da sua coragem e destemor, sua energia é capaz de trazer a proteção necessária para o combate às forças do Astral Inferior, e o dragão representaria a alegoria de que as forças dos espíritos trevosos e obsessores não são capazes de vencer e derrubar seus filhos.

A força de Ogum é representada por sua espada, sua lança, seu escudo (“Ogum quando vem lá de Aruanda, traz uma espada, e uma lança na mão...”), e através do metal de sua espada, Ogum corta o mal e vence demanda do filho que a ele roga sua benção e proteção, mobilizando toda a sua energia para esse caminho.

Ogum atua com todos os elementos naturais, Ar, Fogo, Água, Terra e, por não ter elemento da natureza específico no qual estabelece sua vibração, Ogum atua em todos eles em conjunto com os demais Orixás, trazendo seus falangeiros características dessa vibração de Ogum com a vibração do Orixá que rege outro campo vibratório da Natureza.

Dessa forma encontramos os desdobramentos da energia do Orixá Ogum, sendo que os mais conhecidos são:

- Ogum Megê - Trabalha em harmonia com Omulu, na entrada da calunga pequena - cemitério.

- Ogum Rompe-Mato - Trabalha em harmonia completa com Oxossi, na entrada da Mata. Podendo ser cultuado tanto na terça-feira, dia de Ogum, quanto na quinta-feira, dia de Oxossi.

- Ogum Beira-mar - Trabalha na orla marítima em harmonia com Iansã e Iemanjá

- Ogum Iara - Trabalha na cachoeira em harmonia com Oxum

- Ogum de Lei - Trabalha com as Almas em harmonia com Xangô, Omulu, Oxum e Ogum Iara.
  
Não se pode deixar de citar, ainda, que dentro desses desdobramentos, encontram-se os desdobramentos destes chefes de linha, como no caso do Ogum Sete Ondas que vem a ser o desdobramento da vibração de Ogum Beira-Mar. E, por conseguinte, os desdobramentos do próprio Ogum Sete Ondas, em Ogum Sete Ondas do Fundo do Mar, da Beira da Praia etc.

Ogum é responsável pelos caminhos. Se Exu é aquele que abre caminhos, o faz em nome de Ogum, que estabelece a ligação entre os diferentes locais, determinando a atuação de Exu. Por isso mesmo, abrem-se as giras de Exu nos terreiros de Umbanda, pedindo licença à Ogum.

Esse tão valente protetor do nosso dia-a-dia, a quem sempre invocamos força para vencer nossas demandas, usando seu escudo para proteção contra toda energia ruim ou que pretenda atrasar nossos caminhos. Ogum, que sua luz, que sua energia revigorante e divina recaia sobre os filhos que crêem na tua força, com as bênçãos de nosso Pai Oxalá.

Ogunhê, Salve Ogum, Cavaleiro de Umbanda!

sábado, 22 de abril de 2017

Ogum; O Orixá e suas Falanges


Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exu, está mais próxima dos seres humanos. Foi uma das primeiras figuras do candomblé incorporada por outros cultos, notadamente pela Umbanda, onde é muito popular. 

Tem sincretismo com São Jorge ou com Santo Antônio, tradicionais guerreiros dos mitos católicos, também lutadores, destemidos e cheios de iniciativa. A relação de Ogum com os militares tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo Ioruba. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonarão um processo violento e incontrolável. Se não encontrar inimigos diante de si após te sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou. 

Ogum não era, segundo as lendas, figura que se preocupasse com a administração do reino de seu pai, Odudua; ele não gostava de ficar quieto no palácio, dava voltas sem conseguir ficar parado, arrumava romances com todas as moças da região e brigas com seus namorados. Não se interessava pelo exercício do poder já conquistado, por que fosse a independência a ele garantida nessa função pelo próprio pai, mas sim pela luta. Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. 

É muito mais paixão do que razão... Aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão, Aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte. 

Segundo as pesquisas de Monique Augras, na África, Ogum é o Deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas, ferreiros, barbeiros, tatuadores e hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. 

É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática. Tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na indústria automobilística, de computação e da aviação. Assim, Ogum não é apenas o que abre as picadas nas matas e derrota os exércitos inimigos; é também aquele que abre os caminhos para a implantação de uma estrada de ferro, instala uma fábrica numa área não industrializada, promove o desenvolvimento de um novo meio de transporte, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido. 

É pois, o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão. Tem, junto com Exu, posição de destaque logo no início de um ritual. Tal como Exu, Ogum também gosta de vir à frente. A força de Ogum está tanto na coragem de se lançar à luta como na objetividade que o domina nesses momentos. É fácil, nesse sentido, entender a popularidade de Ogum... Em primeiro lugar, o negro reprimido, longe de sua terra, de seu papel social tradicional, não tinha mais ninguém para apelar, senão para os dois Deuses que efetivamente o defendiam: Exu (a magia) e Ogum (a guerra); segundo Pierre Verger. Em segundo lugar, além da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do conquistador mas também do trabalhador manual, do operário que transforma a matéria-prima em produto acabado... Ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem modificadas . 

Ogum gosta do preto no branco, dos assuntos definidos em rápidas palavras, de falar diretamente a verdade sem ter de preocupar-se em adaptar seu discurso para cada pessoa. Ogum gosta de dormir no chão, precisa que o corpo entre em contato sempre direto com a natureza e dispensa roupas elaboradas e caras, que possam ser complicadas de vestir ou que exijam muito espaço na mochila. Não tem compromisso com ninguém, nem com seus próprios objetos. A violência e a energia, porém não explicam Ogum totalmente. Ele não é o tipo austero, embora sério e dramático, nunca contidamente grave. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo; quando apaixonado, sua sensualidade não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Ogum sempre ataca pela frente, de peito aberto, como o clássico guerreiro.

Ogum representa a eterna luta a favor da paz universal, a luta do espírito contra a matéria, a luta do ser humano para a sua purificação assim como acontece com o aço e o ferro quando são aquecidos e transformam-se em ferramentas cada vez melhores, assim é a luta de Ogum a favor do ser humano para que nos transformemos em pessoas melhores. Ogum, guerreiro da paz que vinte e quatros horas por dia nos defende dos ataques do mal , o mal do coração humano, o mal dos sentimentos negativos para com os nossos semelhantes, o mal praticado contra a mãe natureza.

Sua mensagem sempre é a de combater a guerra e levar a paz aos homens em qualquer canto onde haja desavenças. Ogum permite aos outros Orixás executarem o seu trabalho em harmonia com a ordem planetária. Pelas lutas de OGUM todos nós nos transformamos e renascemos melhores em espírito, e de renascimento em renascimento, de transformação em transformação, chegamos mais perto do Alfa, mais perto do mais que perfeito, mais perto da luz mais branca que o Universo pode conceber, pois foi concebido por ELE o nosso PAI CRIADOR DO INFINITO.

As legiões de Ogum são numerosas, e na verdade cada legião representa um quartel-general dos seus exércitos distribuídos pela natureza, por exemplo: Ogum Beira-Mar é um encanto, um poder energético que tem a função de controlar os locais aonde a terra encontra-se com o mar, as pedras encontram-se com os mares, as matas encontram-se com os mares. Nestes locais tem sempre um areal antes de chegar na praia, consequentemente nestes locais sempre existirá uma legião de Ogum Beira-Mar, legião esta que predomina em volta das águas antes de chegar na terra firme, ou antes de chegar dentro da mata, ou antes de chegar em cima das pedras.

Ogum Beira-Mar tem um irmão gêmeo, nas responsabilidades de predomínio de valores energéticos, pois a mata e a água estão intimamente ligados para dar sustentação a vida do planeta, e este irmão chama-se Ogum Rompe-Mato. Ogum Rompe-Mato atua na ligação da mata com a beira da praia, por este motivo dizemos que Rompe-Mato trabalha diretamente ligado com Beira-Mar.

Ainda temos Ogum Iara que atua nas ligações de água salgada e terra, e Ogum dos Rios que como o próprio nome diz atua nas regiões de água doce. Quando nós entramos para o mar, muda a dimensão de força e energia. é onde encontramos Ogum Sete-Ondas, Ogum Sete-Mares e etc..... é somente um pequeno exemplo dos poderes de Ogum.

Primeiro precisamos entender que quando falamos dos Oguns que baixam nos Templos de Umbanda rodando suas espadas no ar, não são o próprio Orixá Ogum, pois o Orixá não baixa na Umbanda, muito menos são Caboclos de Ogum, os caboclos de Ogum são índios que fazem cruzamento com este Orixá. O Povo de Ogum que baixa nos terreiros são espíritos de homens que foram ligados ao militarismo de alguma forma, estes espíritos por afinidades astrológicas e energéticas que trabalham nessa linha tratam-se de antigos Guerreiros Romanos, Gregos, Espartanos, Mouros, Gauleses, Bárbaros,Hititas, Egípcios, Malês, Sarracenos, Templários, Britânicos, Chefes Indígenas, Bedúinos,Persas, Macedônios, Chineses, Samurais, Babilônicos, enfim vários países e territórios.

São falangeiros de Ogum vibrando com a irradiação de outros Orixás que entregam uma característica cada um.

Ogum Matinata: É a linha mais pura de Ogum, sendo chamado por Ogum Guerreiro. Este falangeiro vibra originalmente na linha de Ogum sem cruzamentos. Defende os campos onde são feitas as oferendas para Oxalá, bastante comuns em colinas floridas. Não há muitos médiuns que conseguem tê-lo como Guia, pois é bastante difícil de incorporar. Suas cores são branca e vermelha, predominando mais o branco. Suas oferendas devem ser entregues em campos com muitas flores. Apesar de guardar as oferendas de Oxalá, não vibra diretamente com o mesmo.

Ogum Beira-Mar: É ligado as praias de Iemanjá, conhecido como o Sentinela de Maria. Talvez seja o mais conhecido, pois muitos trabalham com as entidades desta falange, um motivo é que todos filhos de Ogum tem uma ligação direta com Iemanjá e a entidade que faz a ligação entre Ogum e Iemanjá, é Seu Beira-Mar. Esse falangeiro toma conta das praias, onde há a arrebentação das ondas, é ele que encaminha os pedidos feitos a mãe Iemanjá, pois como bem sabemos Ogum mora no mar e é lá que Seu Beira-Mar trabalha. Quando está em terra as entidades desta linha são sempre retas, com uma postura bem ereta, de peito inflado. Sua cor vibratória é o Vermelho. Trabalha bem na beira doa mar, onde ele entrega os pedidos a Ogum Sete-Ondas que é um subordinado dele, depois esses pedidos são levados a Iemanjá. Ogum Beira-Mar, comanda muitas falanges como por exemplo: Ogum Sete-Ondas, Ogum Sete-Mares, Ogum Marinho entre outros.

Ogum de Lei (Ogum Delê): É intermediador de Ogum e Xangô. Suas cores cabalísticas são branco, vermelho e amarelo. Sua área de atuação é a entrada das pedreiras, pois nas pedras o intermediário de Ogum é, o "Ogum Guarda das Pedreiras". Quando o Orixá Ogum manifesta-se na defesa do reino de Xangô, encontramos o desdobramento chamado de Ogum de Lei, ou seja, combinação vibratória do Orixá Ogum com o Orixá Xangô. Em nível de necessidade nossa de terra (ou terreiro) é quando Ogum atua na execução de justiça. É o Ogum da ponderação, ou seja, conquista/defesa através da ponderação, da estratégia.

Ogum Yara: Ligado a Ibeji e Oxum, trabalha nas nascentes dos rios. Ogum Iara, também escrito Ogum Yara, é uma falange do Orixá Ogum, bem conhecida, trabalha como intermediador com a linha das crianças, sua cor vibratória é o azul escuro. Alguns dizem ser da linha de Oxum, mas sua ligação é primordialmente com Ibeji. Trabalha na cachoeira e comanda Ogum Caiçara entre outros.

Ogum Malê ou Malei: Ogum ligado a Oxalá, patrono das entidades do Oriente e de Cura, cuida de todos espíritos dos médicos astrais. A falange chefiada por este espirito é muito difícil de ver em terra, pois são espíritos muitos sutis que o médium precisa estar muito puro para entrar em contato. O Povo Malei, foi um povo já extinto que vivia no deserto, parecido com os beduínos e até mesmo com os ciganos, eram nômades. O nome deste falangeiro provém de lá, pois os eguns que vibram nesta linha encarnaram em solos orientais, como a maiorias dos espíritos da linha de Oxalá. São ótimos tarefeiros da cura, trabalhando na segurança e proteção de ritos de cura, cirurgias espirituais. Guardam também os médicos astrais e os médiuns de cura. Sempre que se pode deve-se saudar esta linha nos ritos de cura, pois são eles os grandes guardas e defensores astrais.

Ogum Megê: Serventia de Obaluaê, regula os Exus, trabalha muitas vezes dentro da Calunguinha. É bem conhecido dentro dos caminhos da Umbanda. Até mesmo no candomblé essa nomenclatura é dada a uma qualidade do Orixá Ogum. O Senhor Megê trabalha na linha das Almas, isto é, fazendo um entrecruzamento com Obaluae, ele que comanda a energia de Ogum dentro da Calunguinha (Cemitério). Ogum Megê que é o disciplinador das Almas insubmissas. Aplicando da lei sagrada nessas Almas. É importante ressaltar que sua governança é dentro da Calunguinha, pois fora dela o comando é de Ogum de Ronda. Suas cores vibratórias são três, Branco, Vermelho e Preto. 

Ogum Rompe-Mato: Ligado a Oxóssi, cuida das entradas das matas e florestas. Senhor e comandante dos Caboclos de Ogum, Seu Rompe-Mato também é famoso. Suas falanges baixam em muitos terreiros. A maioria dos falangeiros de Ogum, se comportam de forma retida, costumam ficar parado num local, como se fosse um guarda de um palácio, mas os espíritos da falange de Seu Rompe-Mato é diferente, quase todos dançam e rodam o terreiro inteiro, alguns até bradam. Talvez pela afinidade com a linha dos caboclos. Ele é intermediário entre o Orixá Ogum e Oxóssi, por isso também usa como cor vibratória além do branco e vermelho, o verde-mata. Seu campo de atuação é a entrada das matas, onde Oxóssi governa, Ogum Rompe-Mato guarda, ele está sempre na entrada de uma trilha, guardando os espíritos que lá habitam. Não devemos confundir o Ogum Rompe-Mato com o Caboclo Rompe-Mato, um é o intermediador de Ogum e Oxóssi, já o Caboclo, é um espírito que trabalha na linha de Ogum, e faz sua entrega pra Oxóssi, um é falangeiro, outro é um Guia. Apesar de estas suas entidades trabalharem muito próximas, o médium normalmente que trabalha com um normalmente também trabalha com outro, porém em graus diferentes.

Ogum Sete-Espadas: Ligado a energia pura de Ogum, vibra com Ogum Matinata, usa uma espada na mão e outras seis cruzadas na capa, Usa vermelho e prata. Ogum 7 Espadas é um falangeiro do Orixa Ogum que baixa nos terreiros de umbanda sempre disposto a proteger seus filhos contra o mal com suas espadas. Enviado de ogum , ou seja, um falangeiro de seu exército, àquele que vem sobre a qualidade de um 7 espadas defende 7 degraus de evolução na Lei da Guerra. Assim como os Xangôs 7 pedreiras ou o Caboclo 7 Flechas. Eles são os guardiões dos mistérios de seus domínios, porque vêm na Umbanda com uma irradiação pura do seu Orixá de origem.

Ogum Sete-Ondas: Vibra com Ogum Beira-Mar, trabalha nas ondas do mar,ligado a Iemanjá. É o responsável por entregar as oferendas a Iemanjá, ele vem logo após a Ogum Beira-Mar, ou seja, se oferta algo a Iemanjá, Ogum autoriza a Ogum Beira-Mar a receber, e Ogum Beira-Mar faz a entrega a Ogum 7 Ondas para que esse entregue aos braços da linda Iemanjá. Caso Ogum não autorize, seus pedidos e sua oferenda não vão chegar a Iemanjá, e por esse motivo alguns pedidos feitos a ela não são realizados.

Ogum das Pedreiras: Guarda as pedreiras de Xangô de armadura dourada e penas marrons, vibra com Ogum de Lei quase não se desloca, grande executor não aceita ordens. 

Ogum Caiçara: Vibra com Ogum Yara, usa Vermelho e Azul bebê, se desloca pelo templo, cuida do fundo da foz dos Rios. 

Ogum do Oriente: Vibra com Ogum Malê, coms ligações arábes traz um turbante, vibra com as cores vemelho, branco e dourado. 

Ogum de Ronda: Trabalha com Ogum Megê, trabalha nas entradas da Calunguinha, corre sua ronda a Meia-Noite. Usa Preto, Vermelho e Verde. Trás cruz de Malta no peito. 

Ogum das Matas: Usa Verde e Branco, são espíritos Indígenas, usam espadas e bradam muito. 

Ogum Naruê: Seu nome significa “Aquele que é o primeiro a gerar valor”. Trabalhando diretamente na Linha das Almas, desmanchando a magia negra, controla as almas quibandeiras. Aceita suas oferendas com Ogum Megê ou, ainda, dentro ou fora dos cemitérios, nas cores branca e vermelha. Alguns incluem uma pedra-ímã nos itens a oferecer-lhe Existem outras falanges, como Ogum Nagô, Ogum Naruê, Ogum Malei, que também atuam fortemente na vibração da esquerda, são Oguns que tem como grande poder o feitiço e o exímio conhecimento da Quimbanda, raramente se manifestam, atuando somente nos bastidores.

Ogum Sete-Lanças: Ligado a Ogum Matinata e Sete-Espadas usa vermelho apenas,  roda cruzando o terreiro. 

Ogum Sete-Mares: Ligado a Ogum Beira-Mar e Ogum Sete-Ondas, cuida dos Mares usa azul bem escuro e vermelho. 

Ogum de Ouro: Trabalha com Ogum de Lei e Ogum das Pedreiras, Usa Vermelho e Amarelo. Vibra com Iansã. 

Ogum Menino: Vem com Ogum Yara e Ogum Caiçara trabalha nos lajeados e barrado de corais. Usa Vermelho e Azul. 

Ogum da Lua: vibra com Ogum Malê e Ogum do Oriente, trabalha nas vibrações lunares, nos campos abertos do Humaitá. Usa Vermelho e branco. 

Ogum Xoroquê: Trabalha com Ogum Megê e Ogum de Ronda vibra muito com Exu, ligado a Obaluaê também. Usa Preto, Vermelho e Branco.  Sem dúvidas é dentro do Povo de Ogum a entidade que mais chama atenção, por ser dúbia, ter dois lados, um lado ser Ogum e do outro ser Exu. Esta forma quer dizer não que o orixá tem duas faces e sim que trabalha em dois pólos energéticos tanto positivo como negativo. Divindade masculina, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. 

Ogum dos Rios: Trabalha com Ogum Rompe-Mato e Ogum das Matas usa verde Água e vermelho apesar do nome trabalha nas Pontes. 

Além desses ainda existem outros Oguns: Ogum da Estrada (Trabalha na estrada), Ogum Rompe Folha (Trabalha na Mata) Ogum Bandeira (Trabalha no Humaitá), Ogum Gererê (Ligado a Xangô).


Referências. Léo Del Pezzo / Norberto Peixoto

sexta-feira, 21 de abril de 2017


A origem da Religião, O bem e o Mal, e o Livre Arbítrio


De acordo com a perspectiva Evolucionista e descobertas arqueológicas a espécie humana surge na Terra por volta de 150 mil anos atrás, se diferenciando dos outros animais por ter sido capaz de desenvolver a linguagem, dominar o fogo, construir instrumentos diversos para auto defesa e para caça. 

Num período que chamamos de “pré história” deu-se início a processos que empreenderiam a formação de manifestações e organizações sociais e complexas bem diferentes de nossos espécimes antepassados. No período Paleolítico (10.000 ac) descobrimos a agricultura, e no Neolítico (5.000 ac) descobrimos os metais. 

Se analisarmos pela ótica da Antropologia, veremos que a religião surgiu na vida do homem ao mesmo tempo em que surgiram as regras e os tabus de convivência. 

Quando começamos a estudar as ciências humanas aprendemos que viver em sociedade para o ser humano foi um processo decorrente de 3 fatores que por muito tempo aterrorizaram suas vidas. A natureza, os animais e os próprios seres humanos; esses 3 pontos ao longo da nossa evolução fizeram com que optássemos por viver agrupados com nossos semelhantes. 

Para nos proteger da natureza e seus eventos (oscilações climáticas, tempestades, furacões, tsunamis, terremotos, etc..) nos aglomeramos em tribos. Para nos proteger dos animais aprendemos a arte da caça e da auto defesa. E para nos proteger dos próprios seres humanos criamos as regras, os tabus (hoje em moldes como a constituição em suas leis). Aprendemos que com esses mecanismos diminuiríamos a probabilidade de sofrer as consequências da exposição a eventualidade das coisas, estabelecendo entre nós conceitos que validassem a nossa percepção de estarmos protegidos de riscos, perigos ou perdas.

Porém, mesmo estruturados por mecanismos sociais de defesa, algo ainda mexia muito com a mente da nossa espécie. A morte.

A morte de nossos entes, de nossos semelhantes e companheiros de tribos nos jogava sempre num mar de reflexões a respeito da natureza humana, do quanto ela era frágil e subjetiva. Percebíamos em tais processos que mesmo vivendo numa sociedade que tenta nos proteger dos 3 fatores que de certa forma são os que mais representam risco para a nossa existência, ainda nos encontrávamos vulneráveis... O fato de um acaso inesperado dos fatos poder executar transformações angustiantes, poder subtrair pessoas que gostamos de nossas vidas, e até mexer com a nossa própria percepção a respeito da realidade fez com que o homem pré histórico olhasse para a morte por um viés mais afetuoso e sensível.

Para estudiosos das antigas civilizações, o enterro dos mortos pode ser uma das primeiras formas detectáveis de prática religiosa. Numa sociedade onde o homem tinha como premissa as atividades de ação: a caça, auto defesa e a agricultura. No momento em que começa a se preocupar com os mortos e a reverenciar sentimentalmente os entes que morreram, é que surge uma figura de homem diferente do homem de ação. Surge a postura ascética, ou seja, aquele que se propõe a cuidar desse espaço de culto aos mortos da tribo, criando rituais, rezas, orações. 

Surge nesse período a religião. Numa sociedade de caçadores e agricultores a postura ascética fica sob incumbência de um terceiro tipo de homem que se volta para a vida espiritual, mística, contemplativa e que transita no lugar onde são sepultados os cadáveres. 

Demos a esse terceiro homem o nome de Sacerdote, o representante de tudo que é sagrado dentro de uma sociedade. Se para os pré-históricos o sagrado surge pelo sentimento de vazio perante a perda de entes queridos, o Sacerdote surge como pessoa que cuidaria do espaço sagrado e daria sentido simbólico para esses processos de luto.

Dessa forma, para nos proteger das mazelas naturais e dos próximos criamos as regras sociais e os tabus. E a religião surge paralelamente nos fornecendo um sentido de estarmos no mundo, um sentido para a morte, um sentido para vida. Se vamos morrer, então por qual motivo viver? Foi a religião que forneceu (ou tentou fornecer) essa resposta primeiramente.

Porém, mais do que dar sentido para viver, a religião surgiu junto as regras para nos mostrar que o “bem” estava em viver uma vida ética e de respeito ao próximo. Isso é o “bem” para a religião desde o princípio. 

Se as regras foram criadas pelos antepassados, e os antepassados morreram, e a morte é sagrada, consequentemente deveríamos respeitar as regras dos mortos. A ética e a moral surgem sob essa perspectiva. O mal estaria no que fugisse a esses imperativos. Tanto os eventos devastadores da natureza e a incapacidade de determinados integrantes do grupo em seguir os sentidos éticos é que representam o “mal”. 

A regras dos mortos (a ética da tribo) e o sentido ascético (sagrado) é que guiavam os pré históricos entre o que vinha a ser o “bem” e o que vinha a ser o “mal”, e foi nessa lógica embrionária que construímos nossos conceitos sociais e religiosos. Genealogicamente descendemos desse processo. 

Toda religião precisa responder a questão sobre o “bem e o mal” presentes na vida do ser humano. É papel da religião fornecer um sentido ético para a natureza das ações humanas e dos aspectos naturais do mundo e do universo.

Através da evolução percebemos que diante das complexidades naturais e do ser humano, as religiões a princípio simplificaram essa questão numa dicotomia “bem/mal”. Se apegando nas consequências de cada processo e não nas suas causas. Surgindo assim uma visão do mundo que o dividia em poderes opostos e incompatíveis (o maniqueísmo).

Essa postura maniqueísta foi presente na Pérsia cuja doutrina consistia basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal). Essa percepção forneceu muita influência para o germe de religiosidades Abraâmicas como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. A percepção de um Deus bom e um Demônio influenciando os conflitos existenciais.

Um movimento muito importante que tratou desse dualismo foi o Gnosticismo. Movimento religioso, de caráter sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros séculos de nossa era à margem do cristianismo institucionalizado, combinando misticismo e especulação filosófica. Propunha conhecimento místico das verdades divinas e transcendentes que se referem à condição espiritual do ser humano. Pautado no neoplatonismo, se debruçou em questões profundas da realidade material e pragmática das relações espirituais. O Gnosticismo forneceu as bases para a bruxaria medieval. 

O gnósticos acreditavam que a bondade surgia dentro de nós, que ela vinha da alma. Já o mal, vinha do corpo, com todos os seus pontos fracos, desejos e a tendência de nos levar para o mal caminho. Os dois eram extremamente fortes, mas nenhum deles era poderoso o suficiente para destruir o outro. Em determinados momentos e lugares o mal se sobressaia, mas nunca durante muito tempo. A bondade acabaria retornando e triunfando. Isso explicava por que essas coisas terríveis aconteciam: o mal era proveniente das forças obscuras, e a bondade, das forças de luz.. E toda essa esfera administrada pelo Demiurgo (uma entidade vista como sinônimo de ‘alma do mundo’), responsável pela criação do universo físico, segundo os gnósticos. 

Santo Agostinho (filósofo e teólogo cristão com presente prestígio entre o terceiro e quarto séculos, autor de “A Cidade de Deus” e “Confissões”), aborda o tema da influência de Deus por uma terceira via muito interessante. Pois quem acredita que Deus tem extremo controle sobre nossos destinos terá de admitir que existe muito sofrimento no mundo. Seria difícil negar isso. Parte desse sofrimento é resultado do “mal natural” (terremotos, doenças, etc..) e outra parte deve-se ao “mal moral” (mal causado pelos próprios seres humanos). 

Muito antes de Agostinho, Epicuro reconheceu que isso apresenta um problema. Como poderia um Deus bom e todo-poderoso tolerar o mal? Se Deus não pode impedir que o mal aconteça, então não poderia ser todo-poderoso. Isso não parecia fazer sentido, é uma coisa que confunde as pessoas até hoje. O que acontece então? Esse é o clássico problema do mal, o problema de explicar por que Deus permite tais acontecimentos. Presume-se que se tudo vem de Deus, então o mal deve vir de Deus também. Em certo sentido, Deus deve ter desejado que isso acontecesse.

Agostinho se concentrou no ‘mal moral’. Percebeu que a ideia de um Deus que sabe do acontecimento desse tipo de mal e não faz nada para evitá-lo é difícil de entender. Ele não se satisfazia com a ideia de que Deus age de maneira misteriosa, e que está além da compreensão humana. Ele queria respostas. Ele rejeitou a abordagem “maniqueísta gnóstica” não entendendo por que a luta entre o bem e o mal seria interminável. Por que Deus não vencia a batalha? 

A solução não é nada fácil. O filósofo se baseou na existência do ‘Livre Arbítrio’ (na capacidade humana de decidir o que fazer) para tentar resolver essa questão afirmando que Deus nos concede o livre arbítrio. Agostinho considera que ter livre arbítrio é bom, já que nos permite agir moralmente (utilizando de nossos desejos e impulsos de maneira equalizada diante das regras ou das contingências sociais). Nós podemos decidir ser bons; porém, como consequência podemos também decidir ser maus. Podemos ser desencaminhados e praticar más ações, como mentir, roubar, ferir ou até matar as pessoas. Em sua visão isso acontece quando as emoções humanas subjugam a racionalidade.

Desenvolvemos sim fortes desejos por bens materiais e por dinheiro, cedemos a luxúria e somos distanciados de Deus, mas Agostinho acreditava que o nosso lado racional deveria manter as paixões sob controle, visão que ele partilhava de Platão. Os seres humanos, ao contrário dos animais, têm o poder da razão e deveriam usá-lo. Se Deus nos tivesse programado de modo a sempre escolhermos o bem sobre o mal, não causaríamos nenhum dano a ninguém e nem a nós, mas também não seriamos livres e não poderíamos usar a razão para decidir o que fazer. 

Agostinho argumentava que é muito melhor termos escolha, do contrário seríamos como marionetes nas mãos de Deus, que controlaria nossos fios para que sempre nos comportássemos bem. Não haveria sentido nenhum em pensar sobre nosso comportamento, pois sempre escolheríamos automaticamente a opção do bem. Então, na visão dele, Deus é poderoso o suficiente para evitar todo o mal, mas a existência do mal não está diretamente ligada a Deus. O “mal moral” é resultado das nossas escolhas.

Para alguns espiritualistas e teólogos (principalmente de origem protestante) o destino está traçado por Deus, porém seria interessante olhar para a visão de Agostinho para tentar desconstruir essa visão ‘ordenada’ do mundo. Pois acima de seus escritos, com Santo Agostinho nascem os princípios morais que influenciam posteriormente de maneira ampla os estudos e as argumentações de renascentistas e iluministas responsáveis pela modernização do pensamento ocidental. O racionalismo cartesiano bebe muito dessa fonte para entender o papel do homem diante das leis naturais. A crítica racional e ética de Kant também se instrumentaliza por esse viés, e até a perspectiva hegeliana em muito se influencia pelo papel da mente diante dos fatos a serem pesquisados pelo materialismo dialético.

Saímos, através dos discursos filosóficos, da perspectiva que tratava o mal como uma consequência do conflito entre Deus e o Demônio. Pois o caos habita a natureza ao redor, o caos também habita a natureza humana. E é através dos mecanismos de controle que traçamos formas racionais de lidar com essa realidade. Na história da humanidade percebemos que a necessidade de controlar a natureza e a necessidade de dar um sentido para a morte foi o que nos fez criar as regras sociais e a religião. Por muito tempo, após essa construção, cremos que o bem e o mal era uma questão presente no mundo como duelo de forças. Mas hoje sabemos que o bem e o mal são conceitos morais e que o livre arbítrio do homem é a ferramenta para lidar com esses processos.

“A sabedoria é boa” – essa é uma premissa tida como do bem, porém a sabedoria só será boa se utilizada para o bem estar coletivo. 
Para o bem existir é necessário que o ser humano julgue que a sua ação poderá surtir efeitos positivos para os demais. Se nesse processo de escolha das ações o ser humano decidir fazer algo que não se pode universalizar, então surgirá o mal.

O bem e o mal cada vez mais sai do âmbito da espiritualidade como sendo “forças em conflito”. A espiritualidade surge como mecanismo de auxílio evolutivo, de abertura de caminhos e de intuições para que possamos nos tornar seres humanos mais aptos a julgar eticamente as questões. 

Existem leis físicas, químicas e biológicas na natureza. Existem leis psicológicas que o ser humano obedece. O que conecta o homem a natureza é o processo energético. O processo espiritual, ou influência de maus espíritos contribui em muito pouco para a presença do mal. Um quiumba pode se aproveitar da sua debilitação moral e ética, do seu mal exercício do livre arbítrio, mas não efetuar uma rasura nas suas características se elas estiverem em equilíbrio e em evolução.

O bem e o mal são criações do homem, a responsabilidade para se proteger dos eventos da natureza é uma prerrogativa do homem e seu exercício racional. O Direito é uma ciência para lidar com o mal exercício do livre arbítrio, é papel do homem promulgar leis efetivas. 

O que existe é livre arbítrio. Se bem exercido socialmente, moralmente, racionalmente, a sociedade viverá “boas” situações. Se mal exercido o livre arbítrio a sociedade viverá “más” situações. As leis do Carma e as Leis de Retorno obedecem a essa lógica. É o homem que causa suas consequências, ele é responsável pelo que escolhe e responsável pelo que colhe. A espiritualidade não cria o mal e nem o bem, apenas participa do processo evolutivo de cada um fornecendo ou subtraindo conforme merecimento. 

Exercer o livre arbítrio é saudar os ancestrais, reverenciar suas lutas para manter as tradições que eles criaram, as filosofias que trouxeram para o convívio social... Essa é a lei ao qual Exu transita. Você pode não se apegar a religiões e a nenhuma tradição, mas se não exercer de maneira positiva suas ações morais consequentemente colherá frutos drásticos, que promoverão novas situações árduas para conseguir lidar novamente quem essa sua dificuldade. Exu é um cobrador, não promove o mal, apenas cobra que estejamos em pleno exercício de nosso livre arbítrio e seguindo nos caminhos da evolução moral. 

O mundo é inerte a isso. O mundo está aquém dos conceitos de “bem ou mal”. No mundo e no Universo existem energias que podem contribuir para fortalecer o senso humano. Mas o senso humano é que constrói o que é bom ou ruim através de suas escolhas morais e racionais.

Se na pré história nós aprendemos a entender a vida pela perda dos entes queridos e fizemos do papel da religião um processo de significação dos acontecimentos. Hoje evoluímos! Hoje o papel da Religião acima de tudo é contribuir para lapidação do senso do ser humano, influenciar os homens para que busquem conhecimento de causas e efeitos, e principalmente melhorando cada vez mais o exercício do livre arbítrio. Hoje sabemos que a responsabilidade é do homem. O bem e o mal é uma questão moral, e exercer a moral não depende da espiritualidade a priori, mas sim de nós mesmos. 

O primeiro passo da magia é o livre arbítrio. Uma noção profunda dele.
Mentalismo positivo, vibração positiva, noção das causas e dos efeitos. Não transfira sua responsabilidade para terceiros.
Deus não tem nada a ver com o mal.

Blessed Be

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Mironga na Umbanda


Mironga é um termo surgido da palavra “Milonga” do Quimbundo, língua falada em Angola pelos Ambundos. Refere-se a mistério, segredo. Palavra bastante usada nos cultos bantos (Grupo etno-linguístico localizado principalmente na África subsaariana que engloba cerca de 400 subgrupos étnicos diferentes).

Em especial, na religião de Umbanda, tornou-se termo que designa aquele que faz mironga, ou que é mirongueiro. Ganhou significado de feitiço, manipulação de energias.

É em si magia das mais variadas aplicações cósmicas com finalidade de cura, abertura de caminhos, claridade das ideias e sanidade mental. É conhecimento milenar dos magos que pela Terra passaram em outras eras. É um processo magístico efetuado por aqueles que em outras vidas foram iniciados nos mais variados conhecimentos místicos e ocultos da natureza, e que aplicam a alquimia astral em favor da mudança dos estados de energia nos mais diversos planos, dimensões e densidades de manifestação da vida e do espírito imortal dos seres.

Através dos Pretos Velhos a mironga se adequou aos termos primordiais da Umbanda. E dessa forma passou a ser utilizada única e exclusivamente para prática da caridade socorrista, com humildade e serventia ao próximo, na intensão de trazer alento e conforto aos que sofrem pelas mais diversas causas.

A mironga no plano físico e material se utiliza a princípio de 4 elementos da natureza: Terra, Água, Fogo e Ar (elementos presentes no café, no cachimbo, na fumaça, nos ramos de arruda e guiné, etc). Porém, com a chegada do Baiano como linha de trabalho na Umbanda a partir dos anos 60 e 70, acrescentou-se o elemento “madeira” as mirongas de Umbanda. A madeira do coco que o Baiano utiliza nas giras umbandistas é um elemento hiperpoderoso, pois como sabemos a madeira representa aquilo que germinou, floresceu e se consolidou, ganhou forma e um lugar no mundo. A energia atômica da madeira é uma fortaleza por excelência.

A diferença das mirongas de Pretos Velhos e de Baianos estão no fato de que as práticas mirongueiras dos Pretos Velhos buscam doar discernimento, limpeza física e espiritual, ascensão filosófica aos seres. Enquanto que a Mironga do Baiano traz essencialmente a força necessária para encarar desafios, enfrentar tempestades com a dureza que o Nordestino carrega como ninguém.


A mironga é um fundamento de Umbanda. Tem em si aspectos variados, mas que em nossa religião só traz o bem aplicado a leis Humanistas dos Terreiros.